eLyra #28 (dezembro 2026): A Poesia e a condição de 'estrangeiridade'
Chamada de trabalhos para o n. 28 (dezembro 2026)
Todos os artigos devem respeitar rigorosamente as normas de publicação expostas na secção “Submissões”, da revista eLyra. O prazo para o envio dos trabalhos é 10 de agosto de 2026.
Os artigos devem ser enviados para o email: revistaelyra@gmail.com
Título: A Poesia e a condição de estrangeiridade
Org. Celia Pedrosa (UFF), Mônica Simas (UNIVE)
Este número da eLyra propõe investigar as relações entre a escrita poética e a condição de estrangeiridade, entendida não apenas como decorrente de deslocamentos geográficos, mas também – e independentemente destes - como experiência linguística, cultural e epistemológica de descentramento. A chamada organiza-se em função desses objetivos em três eixos principais: (1) a estrangeiridade como experiência migratória concreta, individual ou coletiva, intencional ou imposta por condições sociais diversas e marcada por mobilidade, diáspora e sentimentos associados ao de exílio (2) a estrangeiridade como figuração da modernidade, associada ao estranhamento, ao hibridismo e às tensões internas da linguagem; e (3) a estrangeiridade como posição intelectual, que implica o deslocamento da autoridade autoral e a problematização constante da visão crítica do poeta.
Inserida em debates amplos e interdisciplinares sobre relações de alteridade, esta proposta no limite leva ao questionamento das próprias fronteiras disciplinares. E busca examinar de que modo a experiência de estrangeiridade engendra procedimentos formais específicos, solicitando um convívio tenso entre estética, filosofia e política. Interessa-nos compreender como, nesse sentido, a poesia mobiliza a noção moderna de estranhamento para responder às dinâmicas contemporâneas de migração, globalização e mundialização, problematizando fronteiras geográficas físicas e imateriais e apontando para novas formas de cosmopolitismo, transitividade e vida em comum.
A partir de diferentes perspectivas, e com atenção às semelhanças e diferenças entre modernidade e contemporaneidade, propomos refletir sobre a poesia como espaço de negociação ou de dissenso. Nele se articulam tensões entre pertencimento e desenraizamento, que contribuem para a desestabilização de noções identitárias tradicionais como as de povo, nação, classe social, território, e dicotomias como as que opõem interior e exterior, particular e geral. Serão bem-vindos trabalhos que abordem, entre outros temas, escritas do exílio, poéticas da diáspora, monolinguismo, bilinguismo e entrelinguismo, tradução e autotradução, literatura de fronteira, problematização da oposição entre centros e periferias, associados a reconfigurações da subjetividade poética.
Os trabalhos deverão ser enviados para revistaelyra@gmail.com até ao próximo dia 10 de agosto de 2026. Artigos escritos em português, espanhol, inglês ou francês são muito bem-vindos.
