A terceira voz. Finisterra e o espelho acústico
DOI:
https://doi.org/10.21747/21828954/ely27a8Resumo
Este ensaio propõe uma releitura de Finisterra. Paisagem e povoamento, de Carlos de Oliveira, a partir da tropologia da voz e da representação sonora, deslocando o foco crítico da dominante icónico-visual que tem orientado grande parte da receção da obra. Partindo da noção de “terceira voz”, inscrita no próprio romance, procura mostrar-se que Finisterra configura um arquivo acústico em que a memória, a repetição e a reverberação da voz estruturam uma reflexão sobre os limites da representação e sobre a materialidade dos meios. Através da figura do “espelho acústico”, interpretam-se a casa como caixa de ressonância, o corpo como caixa percutiva e o livro como dispositivo de inscrição e transmissão de vozes. Em diálogo com a crítica oliveiriana, a metaforologia e os estudos intermedia, o ensaio defende que a escrita de Carlos de Oliveira não apenas representa o mundo, mas também torna sensível a vibração material dos seus vestígios sonoros, propondo uma poética da memória acústica onde visão, audição e tactilidade convergem numa mesma experiência da leitura.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Pedro Serra

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.
