O enigma da arte sob a força de um começo: Descartes e Pascal segundo Maurice Blanchot
DOI:
https://doi.org/10.21747/21828954/ely26a2Resumo
O presente artigo investiga a leitura que Maurice Blanchot realiza de Descartes e Pascal a partir do problema do começo do pensamento, interpretando de que modo a razão moderna e o enigma do pensamento e da arte se entrelaçam na obra desses dois pensadores. Para Blanchot, o Cogito cartesiano, ao fundar a racionalidade moderna e excluir a obscuridade da irracionalidade, no mesmo movimento, de forma latente, insiste em conservar um vínculo com esse enigma que busca neutralizar. Em continuidade crítica com esse gesto, Pascal também manteria aberta a tensão entre razão e mistério, ao afirmar que o pensamento emerge da contradição e da obscuridade, o que se exprime, por exemplo, na figura do Deus oculto. Por fim, busca-se demonstrar como essa aproximação ultrapassa o plano estritamente teórico, configurando modos distintos de se relacionar com o enigma, cujas implicações recaem sobre a arte e a filosofia contemporâneas, na medida em que a literatura e a arte se afirmam como espaços privilegiados de acolhimento de uma experiência do pensamento que resiste à sua institucionalização em nome de uma verdade universal.
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